Financiamento ou Consórcio: Quais São as Diferenças?

A diferença central é o tempo: no financiamento você recebe o bem na hora e paga juros por isso; no consórcio não há juros, mas há taxa de administração e você só recebe a carta de crédito quando for contemplado, por sorteio ou lance. O financiamento faz sentido quando o bem é necessário agora; o consórcio, para quem pode esperar e quer disciplina. Poupar e comprar à vista costuma ser ainda mais barato. Veja as diferenças com simulações práticas.

Como funciona o financiamento

No financiamento, um banco paga o bem ao vendedor e você devolve o valor em parcelas, com juros. O bem normalmente fica como garantia, em alienação fiduciária, até a quitação.

Elementos do financiamento

  • Entrada: parte paga à vista; quanto maior, menos juros;
  • Taxa de juros: mensal ou anual, prefixada ou pós-fixada;
  • CET (Custo Efetivo Total): inclui juros, tarifas, seguros e impostos, como o IOF. É o número que você deve comparar;
  • Prazo: mais longo reduz a parcela, mas aumenta o total pago;
  • Sistema de amortização: SAC ou Price, no caso de imóveis.

SAC x Price

SistemaParcelaTotal de juros
SACComeça mais alta e diminui ao longo do tempoMenor
PriceFixa durante todo o contratoMaior

Exemplo hipotético: financiamento de R$ 240.000 em 360 meses a 0,9% ao mês. No SAC, a primeira parcela, sem seguros e taxas, fica em cerca de R$ 2.827 e a última em cerca de R$ 673. Na Price, a parcela fica em cerca de R$ 2.249 durante todo o contrato, mas o total de juros é maior.

FGTS no financiamento imobiliário

O saldo do FGTS pode ser usado na entrada, na amortização ou no pagamento de parte das parcelas de imóveis residenciais, desde que cumpridas as regras do Sistema Financeiro da Habitação. Consulte as condições vigentes no site da Caixa.

Como funciona o consórcio

O consórcio é um grupo de pessoas que contribuem mensalmente para um fundo comum. Todo mês, uma ou mais pessoas são contempladas e recebem uma carta de crédito para comprar o bem.

A atividade é regulada por lei e fiscalizada pelo Banco Central. Antes de contratar, confira se a administradora é autorizada no site do Banco Central.

Elementos do consórcio

  • Carta de crédito: o valor do bem que você poderá comprar;
  • Taxa de administração: remuneração da administradora, cobrada sobre o valor da carta ao longo do plano;
  • Fundo de reserva: percentual para cobrir eventuais inadimplências do grupo;
  • Seguro: pode ser obrigatório ou opcional, conforme o contrato;
  • Correção: a carta e as parcelas são atualizadas por um índice, como o INCC para imóveis ou a tabela de preços do bem para veículos.

Como ser contemplado

  • Sorteio: todos os participantes em dia concorrem;
  • Lance: você oferece antecipar parcelas. O maior lance vence;
  • Lance embutido: parte da própria carta é usada como lance, reduzindo o crédito disponível.

Não há garantia de quando você será contemplado. Pode ser no primeiro mês ou no último.

Financiamento, empréstimo pessoal ou cartão?

Muita gente compra bens usando outras formas de crédito, sem perceber que pagam bem mais caro. Compare:

ModalidadeGarantiaCusto relativoObservação
Financiamento de imóvelO próprio imóvelMais baixoPrazos longos
Financiamento de veículoO próprio veículoModeradoExige entrada em geral
ConsignadoDesconto em folhaBaixo a moderadoPara quem tem acesso
Empréstimo pessoalNenhumaAltoTaxas variam muito
Parcelado do cartão com jurosNenhumaAltoCuidado com o CET
Rotativo do cartãoNenhumaMuito altoDeve ser evitado

Crédito com garantia costuma ser mais barato, porque o risco para o banco é menor. Usar empréstimo pessoal ou o cartão para comprar um carro, por exemplo, tende a sair muito mais caro. Veja como comparar ofertas em empréstimo pessoal: como comparar juros, entenda o funcionamento da fatura em cartão de crédito: como funciona e por que fugir dos juros do rotativo.

Quanto da renda pode ir para a parcela

Antes de escolher entre financiamento e consórcio, defina quanto do seu orçamento pode ser comprometido. Uma referência comum é que a soma de todas as parcelas de dívidas não passe de 30% da renda líquida, e, no caso de imóveis, os bancos costumam limitar a primeira parcela a uma fração da renda familiar.

Exemplo hipotético: renda líquida de R$ 6.000. Limite de referência para todas as parcelas: R$ 1.800. Se já existe uma parcela de R$ 600, sobram R$ 1.200 para o novo compromisso.

Lembre de incluir os custos de manter o bem: seguro, IPVA, manutenção, combustível ou condomínio e IPTU. Um carro de R$ 80.000 pode custar várias centenas de reais por mês além da parcela. Para mapear o orçamento, use o método de como organizar sua vida financeira e encaixe a compra no seu planejamento financeiro pessoal.

Juros, inflação e o momento da compra

O custo do financiamento acompanha o ciclo de juros. Com a Selic alta, as taxas sobem; com ela em queda, ficam mais baratas, e pode valer a pena fazer a portabilidade de um contrato antigo. Entenda em como a Selic afeta a economia.

Já no consórcio, as parcelas e a carta são corrigidas por um índice. Em períodos de inflação alta, as parcelas sobem, mas a carta também acompanha o preço dos bens. Veja como a inflação afeta seu planejamento em inflação: como proteger seu dinheiro.

Comparativo direto

CritérioFinanciamentoConsórcio
Recebimento do bemImediatoSó após contemplação
JurosSimNão
CustosCET: juros, tarifas, seguros e IOFTaxa de administração, fundo de reserva e seguro
EntradaNormalmente exigidaNão exigida
ParcelasFixas ou decrescentesCorrigidas por índice
PrevisibilidadeAltaBaixa quanto à data do bem
Análise de créditoNa contrataçãoNa contemplação
Indicado paraQuem precisa do bem agoraQuem pode esperar

Simulação hipotética: carro de R$ 80.000

Financiamento

  • Entrada: R$ 20.000;
  • Valor financiado: R$ 60.000;
  • Taxa hipotética: 1,5% ao mês, 48 meses;
  • Parcela aproximada: R$ 1.762;
  • Total pago em parcelas: cerca de R$ 84.600, mais a entrada, total de R$ 104.600.

Consórcio

  • Carta: R$ 80.000;
  • Taxa de administração hipotética de 16% e fundo de reserva de 2% sobre a carta;
  • Prazo: 60 meses;
  • Parcela aproximada, sem correção e sem seguro: R$ 1.573;
  • Total pago: cerca de R$ 94.400, sem considerar correções.

Poupando o mesmo valor

Se, em vez do consórcio, a pessoa aplicasse R$ 1.573 por mês em renda fixa com rendimento líquido hipotético de 0,7% ao mês, chegaria aos R$ 80.000 em cerca de 44 meses, tendo aportado aproximadamente R$ 68.700.

Resumo do exemplo: o financiamento entrega o carro imediatamente, mas é o mais caro. O consórcio custa menos, mas o prazo de recebimento é incerto. Poupar é o mais barato, mas exige disciplina e paciência. Lembre que o preço do carro também pode mudar no período, e que todos os números são ilustrativos.

Para entender o efeito dos juros ao longo do tempo, veja juros compostos: como funcionam.

Quando o financiamento faz mais sentido

  • Você precisa do bem agora, por exemplo, um carro para trabalhar ou um imóvel para sair do aluguel;
  • O valor do aluguel é próximo da parcela do financiamento imobiliário;
  • Você tem boa entrada e consegue uma taxa competitiva;
  • Pode usar o FGTS para reduzir o saldo devedor de um imóvel.

Como conseguir uma taxa melhor

  • Compare o CET em pelo menos três instituições;
  • Dê a maior entrada possível;
  • Mantenha bom histórico de crédito. Veja como aumentar o score de crédito;
  • Considere a portabilidade do financiamento no futuro, se as taxas caírem;
  • Avalie amortizações extraordinárias para reduzir prazo e juros.

Exemplo: o peso do prazo

Usando o mesmo financiamento hipotético de R$ 60.000 a 1,5% ao mês, veja como o prazo muda o total:

PrazoParcela aproximadaTotal pago em parcelas
36 mesesR$ 2.169R$ 78.089
48 mesesR$ 1.762R$ 84.600
60 mesesR$ 1.524R$ 91.416

Esticar de 36 para 60 meses reduz a parcela em cerca de R$ 645, mas aumenta o total em mais de R$ 13 mil. Escolha o menor prazo cuja parcela caiba com folga no orçamento.

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